Blog das Cidades Digitais

Este blog, sob a coordenação do Prof. João Álcimo Viana, se constitui como um espaço de discussão acerca das Cidades Digitais e das políticas públicas brasileiras em Tecnologia da Informação.

31/3/08

MOSSORÓ DIGITAL

 Foco em inclusão digital

Fonte: Guia das Cidades Digitais.

Disponível em: http://www.guiadascidadesdigitais.com.br/site/pagina/foco-em-incluso-digital

 

Mossoró, segunda maior cidade do Rio Grande do Norte, já começou a se tornar digital. A proposta em andamento no município de 244 mil habitantes, a 277 quilômetros da capital, é um pouco diferente das demais Cidades Digitais. O foco é promover ações de inclusão digital e estimular projetos para desenvolver uma economia e uma sociedade da informação.

"O projeto tem três linhas: inclusão digital, empreendedorismo digital e, por último, pesquisa e desenvolvimento de produtos da cidade, a partir da demanda das empresas", explica Cicília Maia, uma das coordenadoras do Mossoró Cidade Digital, nome oficial da iniciativa.

A conexão dos diferentes órgãos também está programada. No entanto, só poderá ser executada no ano que vem. "O Plano Plurianual do município só prevê esta ação em 2009", esclarece o secretário de Cidadania, Francisco Carlos Carvalho de Melo. Assim que possível, a intenção é conectar não só os prédios das sete secretarias da cidade, como também as 81 escolas e os 40 postos de saúde. Os estudos sobre as tecnologias a serem usadas serão feitos mais adiante.

O secretário aponta, no entanto, que, internamente, os órgãos já estão com as bases colocadas para que a conexão em uma rede única possa ser operada. "Os órgãos públicos, nas atividades meio, já estão conectados a muitos serviços web. A parte financeira, a tributária e a de gestão de pessoas já estão informatizadas. Dados sobre saldos orçamentários e fluxos financeiros estão centralizados. Todas as secretarias fazem suas consultas numa base única", comenta Carvalho de Melo.

Entre os passos já percorridos, estão também um provedor próprio de internet no prédio da Secretaria da Cidadania (que congrega as atividades das pastas de Educação, Saúde, Cultura e Desenvolvimento Social); 15 escolas com laboratórios de informática; mais de 40 postos de saúde com computadores; e uma ouvidoria com atendimento totalmente digitalizado. "No call center, a comunicação é feita majoritariamente por meio das máquinas, com um software especialmente desenvolvido", especifica Melo.

A etapa seguinte será conectar todas essas instâncias que hoje estão parcialmente digitalizadas, porém, isoladas. Para que o projeto esteja inteiramente implantado, serão necessários R$ 5 milhões, a serem investidos por todas as secretarias. Melo considera que, do total, cerca de 1,5 milhão já foi investido.

Parcerias com universidades e empresas

Gerido majoritariamente pela Fundação Municipal de Apoio à Geração de Emprego e Renda (Funger), vinculada à Secretaria da Cidadania, o projeto atualmente é levado adiante com a atuação decisiva de uma série de instituições parceiras, incluindo universidades, empresas e a prefeitura municipal. Foi formada uma rede de aproximadamente 300 pessoas, que discutem e decidem os rumos do projeto. A intenção é, até o final de 2008, constituir legalmente um instituto para centralizar as atividades.

No elenco de ações, estará a gestão dos laboratórios de informática das escolas do município, "principalmente no aspecto de inserir novas tecnologias aplicadas à educação", explicita Cicília Maia. Capacitação de multiplicadores de ensino de informática nos colégios também está nos planos.

A promoção de debates e formação de conhecimento sobre inclusão digital é outra frente de trabalho do Mossoró Cidade Digital. E esta já se encontra a todo vapor: cursos e palestras vêm sendo realizados, incluindo seminários anuais com participação de pessoas de vários estados.

Já está programado para agosto o terceiro seminário, para o qual cogita-se, como palestrante principal, o sociólogo Sérgio Amadeu, ex-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação. "O debate aqui na cidade tem bastante eco. Temos três instituições com nível superior na área de tecnologia da informação", justifica Cicília.

Em termos de telecentros, há dois diretamente operados pela prefeitura. Chamados de "Portal do Saber", um deles funciona na biblioteca municipal, comportando 15 computadores com acesso livre e gratuito à internet. No local, fica disponível também acesso Wi-Fi para as pessoas que cheguem com suas máquinas para se conectar. Um outro Portal do Saber está instalado no bairro Abolição I. A Câmara dos Vereadores e duas organizações não-governamentais também oferecem, cada, um telecentro para a população.

Nas atividades de e-gov, além da ouvidoria já citada, a prefeitura está realizando pregão eletrônico e instalando, internamente, softwares da área de saúde produzidos e fornecidos pelo Ministério da Saúde. A principal, no entanto, é a instalação de três totens digitais, todos na principal rua da cidade: a Avenida Rio Branco, que, por congregar muitos dos aparelhos de cultura da cidade, já é conhecida como Avenida da Cultura.

Os terminais começarão a funcionar em julho, porém, dois já estão nos locais que ocuparão quando a atividade for iniciada. Nos totens, a população terá direito a sessões de 15 minutos para navegar livremente na internet. "Os cidadãos poderão acessar e-mail ou quaisquer sites desejados", comenta Cicília. Além disso, eles emitirão sinal de internet sem fio para seu entorno, num raio de 200 a 250 metros, garante o secretário.

 

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CARÊNCIA DE PROGRAMADORES

Carência de programadores

 

Artigo de Fernando Carvalho

Presidente da Empresa de Tecnologia da Informação do Estado do Ceará (Etice)

Publicado no Jornal O Povo, Fortaleza/Ceará, em 18/03/2008

Disponível em: http://www.opovo.com.br/opovo/opiniao/773872.html

 

 A sofisticada cadeia de especializações necessárias à engenharia o software envolve formação de recursos humanos em todos os níveis, do ensino médio profissionalizante à pós-graduação stricto sensu. Em todos os países percebe-se crescente carência de programadores.

 

Da América do Norte e Europa Ocidental há muito existem fortes correntes emigratórias, não de pessoas, mas de serviços ligados às Tecnologias da Informação e Comunicação - principalmente em atividades ligadas à programação de computadores. É a terceirização "offshore".

 

Alguns países em vias de desenvolvimento estão recebendo investimentos externos maciços, notadamente, Índia, China, entre outros.

 

 A Índia, contando com a vantagem da língua inglesa e com o notável número de doutores e especialistas em Computação, Telecomunicações e áreas afins, estima receber US$ 20 bilhões este ano. O Brasil é iniciante nesse jogo. Contudo, com o aumento dos custos na Índia, já aparecemos nas estimativas como um dos cinco maiores destinatários de investimentos "offshore" em 2014.

 

 As expectativas se concretizarão, se nos preocuparmos agora com a formação de mão-de-obra especializada e infra-estrutura, oferecendo às empresas locais condições de competir no fornecimento de serviços inovadores de classe mundial. Além disso, o incentivo à instalação de empresas nacionais e estrangeiras de base tecnológica é fator determinante para a longevidade do investimento.

 

São Paulo, Paraná e Pernambuco já se movimentam para captar maior parte dos investimentos. Campinas, Curitiba e Recife saíram na frente com incentivos fiscais, e gigantes empresas mundiais do setor já se instalaram por lá. Não por coincidência, esses Estados foram os que mais fomentaram seus programas de pós-graduação nos anos 90.

 

Empreendedores pernambucanos já procuram programadores nos estados vizinhos, Ceará incluído.

 

O Ceará também pode tomar parte na captação. Temos hoje no Estado pelo menos quatro programas acadêmicos de qualidade que formam mestres, na Uece, Cefet, Unifor e UFC. Na UFC, dois cursos já formam doutores na área. Num primeiro momento é necessário consolidar esses cursos, depois expandi-los, criando mais vagas, em Fortaleza e no interior, nomeadamente Quixadá, Sobral, e Juazeiro, onde já existem cursos de graduação.

 

O problema central da formação para captação de investimentos está na escassez de bons programadores que, de preferência, sejam bilíngües.

 

Estima-se que entram no mercado cearense mais de 200 bons programadores e analistas por ano, todos são absorvidos. Mas a demanda do "offshore" é da ordem de milhares de profissionais. Uma saída está no ensino profissionalizante. Existe uma massa de estudantes que fica represada na entrada da universidade. Conclusão do ensino médio não é garantia de emprego digno.

 

O ensino Profissionalizante em Programação de Computadores deve dar ênfase em paradigmas de linguagens de programação e expor os alunos a uma língua estrangeira e se destina aos que cursam ou já concluíram o ensino médio. O desafio é reunir e motivar jovens, egressos da escola pública, com vocação para o métier.

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O exemplo dos municípios do RS

Famurs apóia os municípios gaúchos rumo a um cenário digital

Fonte: http://www.guiadascidadesdigitais.com.br/site/pagina/famurs-apia-os-municpios-rumo-a-um-cenrio-digital

 

A Federação das Associações Municipais do Rio Grande do Sul (Famurs) tem, por si só, uma tarefa trabalhosa: articular e assessorar todas as cidades do Estado, o terceiro maior do Brasil em número de municípios.

 

Isso se dá por meio de 25 associações regionais, que abrangem os 496 municípios gaúchos.Porém, desde o segundo semestre de 2006, a Famurs decidiu ir além e estimular a criação de Cidades Digitais. Foi quando surgiu o Programa Município Digital (Promund), que já identificou e abarcou 68 cidades, ou cerca de 14% do total.

 

O coordenador do projeto na Famurs, Alessandro Reis, explica que o fator motivador da criação do programa foi o resultado de um levantamento de dados realizado pela entidade. "O Rio Grande do Sul tem 83% dos municípios com até 10 mil habitantes. Destes, apenas 25% possuem serviço de acesso à internet, geralmente concentrado na zona de teledensidade alta", explica, referindo-se a áreas em que os serviços de telecomunicações são mais presentes. "Como as companhias de telecomunicações e provedores realizam seus investimentos baseados em cálculos de retorno, estas localidades seriam atendidas apenas a longo prazo", completa.

 

A partir desta constatação, a Famurs identificou que, apesar de não serem alvo atraente para as teles e para os provedores de internet, estas cidades tinham necessidade de interligar escolas, postos de saúde, prefeituras e demais órgãos municipais. "Construímos o Promund, para, em duas etapas, atender esta demanda", diz Reis.

 

A primeira etapa consiste em ajudar o município a construir sua rede sem fio, que normalmente visa conectar todos os pontos da administração municipal, escolas e postos de saúde, com a integração de dados.

 

Já com uma disponibilidade de banda e rede estruturada, a segunda etapa tem por objetivo promover a inclusão digital de seus cidadãos, com a possibilidade de estabelecer um modelo sustentável para prefeitura.

 

Convencimento político e financiamento O Promund fornece apoio no desenvolvimento do projeto e na capacitação técnica. Além disso, em parceria com fabricante, "a Famurs disponibiliza site survey e colabora no convencimento político do prefeito para a execução do projeto", detalha Reis, relembrando que as cidades não têm de dar ao Promund nenhum tipo de contrapartida. "É este pensamento de contrapartida que até hoje cria entrave no desenvolvimento das Cidades Digitais.

 

Mostrar os benefícios e convencer o prefeito de que isto é um investimento é o principal papel da Famurs", completa. O Promund não financia diretamente os projetos de Cidades Digitais, mas dá apoio e treinamento para que os municípios consigam levantar a verba necessária.

 

Por exemplo, fornece capacitação e desenvolvimento de projetos para linhas de financiamento de entidades como o Ministério das Comunicações. Uma outra possibilidade, informa Reis, é conseguir o financiamento que alguns fabricantes de equipamentos oferecem, desde que sejam atendidos determinados critérios. "E, atualmente, o Promund negocia uma parceria com um agente financeiro para disponibilizar aos municípios", completa o coordenador da iniciativa.

 

Apesar de a iniciativa ter nascido a partir da percepção das necessidades das pequenas cidades, Reis lembra que o programa não é voltado apenas para elas. "Temos alguns municípios maiores, como Viamão e Bento Gonçalves, em que estamos implantando projetos", reforça Reis.

 

As cidades têm, respectivamente, 253 mil e 100 mil habitantes. e-gov e VoIP No que se refere a e-gov, a Famurs disponibiliza aos municípios algumas soluções, com foco nos sistemas de gestão dos órgãos municipais que, segundo Reis, envolvem um trabalho de médio e longo prazo.

 

Fornecedores de softwares e equipamentos para os municípios têm que propiciar a integração de dados através de seus produtos. Caso contrário, serão excluídos dos processos, uma vez que prefeitos e técnicos estão sendo capacitados para exigir isto.

 

A tecnologia VoIP também está no alvo do Promund. "O objetivo de orientar o município e validar a construção da rede wireless com banda correta é para que o VoIP seja amplamente utilizado. Um município paga boa parte das inovações tecnológicas ao adotar esta tecnologia", acredita Reis.

 

Ainda em 2008, a meta é fazer o número de municípios participantes pular de 68 para 250. Treinamento das prefeituras nas áreas de tecnologia e dos educadores na utilização de todo o potencial das redes digitais também estão nos planos.

 

Completa a lista de tarefas para este ano a intenção de viabilizar um modelo econômico, junto aos pequenos provedores de internet, para conferir sustentabilidade aos diferentes projetos.

 

 As cidades gaúchas interessadas em participar do Promund podem entrar em contato com a Famurs, pelo telefone (51) 3230-3100 ou pelo email informatica@famurs.com.br.

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12/3/08

Empreendedorismo Digital (Artigo)

EMPREENDEDORISMO DIGITAL

João Álcimo Viana Lima
(Professor universitário e Secretário de Ciência, Tecnologia e Empreendedorismo de Tauá)

Há cerca de 19 meses, a Prefeitura de Tauá, em parceria com o Ministério das Comunicações, inaugurou um conjunto de investimentos no setor de Tecnologia da Informação, que foi integrado em um programa denominado “Cidade Digital”. O referido investimento despertou a atenção da imprensa pelo fato de Tauá está situado em uma das microrregiões mais secas do País e sem condições estruturais propícias para atrair novos investidores privados e para desenvolver e manter as ações previstas para a Cidade Digital.

Tratava-se de “remar contra a maré” em pleno Sertão dos Inhamuns. Contudo, tratou-se de algo planejado e concebido conscientemente pela gestão do Município como alternativa de gerar novas oportunidades no âmbito local. Desse modo, romperam-se paradigmas, mas ao mesmo tempo foram fortalecidas as ações em torno das vocações tradicionais de Tauá, como é o caso da ovinocaprinocultura. Mas, a grande novidade, sem dúvida, foi o eco do “berro digital”, que, a partir de ações integradas e com foco na inter-setorialidade, promoveu a introdução de novas práticas, aliando a inclusão tecnológica à inclusão social.

Dentre as atividades da Cidade Digital de Tauá, destacam-se o provedor de internet (com 350 pontos entre órgãos da Prefeitura, empresas e residências); a capacitação permanente em cursos de informática, superando o quantitativo de 1000 pessoas aprovadas; a disponibilização dos serviços de e-Gov como meio de democratização e transparência pública; a oferta de internet wireless; a implantação de telecentros e centros de capacitação tecnológica nas escolas; a implantação de quiosques digitais em pontos estratégicos da Cidade; os serviços de videoconferência e formação a distância; o projeto Agente Comunitário de Saúde Digital; e o TeleSaudade. Com toda estrutura funcionando com regularidade, Tauá, a partir do segundo semestre de 2007, passou a chamar a atenção da iniciativa privada. Com efeito, foi criado, em parceria com a empresa Educandus, um pólo de desenvolvimento de softwares; e, em conjunto com as empresas RedImob, e-VoIP Net Brasil e Converge TI, está sendo implantado o sistema de telefonia VoIP em todos os órgãos municipais e que, também, será extensivo aos cidadãos, através de planos telefônicos e dos bodefones (orelhões), cujas tarifas serão reduzidas em aproximadamente 60%.

Sob a ótica da processualidade, da sustentabilidade e da democratização do acesso à Tecnologia da Informação, em 2008, além dos bodefones, a Prefeitura de Tauá tem como meta expandir a internet a todas as sedes de seus sete distritos, bem como implantar, em parceria com a Educandus, um Portal Educacional com tecnologias multimidiáticas, onde professores e alunos terão login e senha para livre acesso aos conteúdos on-line.

Por conta de todo esse conjunto de ações empreendedoras, a Prefeita Patrícia Aguiar obteve a primeira colocação no Estado no âmbito do Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor (edição 2007/2008). Não resta dúvida que se trata de um importante reconhecimento a uma iniciativa ousada do Sertão Nordestino, onde o “berro” rompeu os seus tradicionais currais, superou obstáculos e repercutiu além de suas circunscrições, como iniciativa replicável e de empreendedorismo digital.

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8/3/08

Tauá: A união da tecnologia com a criatividade- II

Tauá/CE: A união da tecnologia com a criatividade - II

Continuação da matéria publicada no Guia das Cidades Digitais

Disponível em:

http://www.guiadascidadesdigitais.com.br/site/pagina/tau-no-serto-cearense-une-tecnologia-e-criatividade

 

E-gov, educação e saúde

Utilizar rede sem fio gratuita e livre também é possível em duas praças da cidade: a Capitão Cipó e a Dr. Alberto Feitosa Lima (onde fica a estação rodoviária). Em ambas há sinal via Wi-Fi para ser utilizado por qualquer pessoa que tiver um laptop ou aparelho portátil habilitado para usar rede sem fio. "Os comerciantes da cidade estão indo para as praças para enviar pedidos e realizar outras ações utilizando seus palmtops", relata João Álcimo. O braço do projeto que oferece rede sem fio gratuita em locais públicos é chamado de Tauánet Móvel.

Na área da saúde, a prefeitura optou por modernizar a ação dos agentes comunitários, que agora visitam as casas não mais com formulários e papéis, mas com palmtops onde já digitalizam as informações, que dessa forma podem ser mais facilmente enviadas e trabalhadas.

Os postos de saúde ainda não estão conectados à rede mundial de computadores. O secretário de Ciência e Tecnologia avisa, porém, que, na expansão prevista para 2008, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), serão informatizados todos os Postos de Saúde da Família e as unidades de saúde do município. No que se refere a e-gov, a prefeitura tem um canal aberto com os moradores. É o Fala Cidadão, através do qual são recebidos diversos e-mails por mês, com os mais variados pedidos de utilidade pública. "Respondemos ou encaminhamos todos eles", garante o secretário.

Há ainda o Tauá Transparente, em que se encontram demonstrações contábeis do município. A legislação do município também está on-line, incluindo a Lei Orgânica da cidade. Já a Enquete do Mês, pesquisa feita através do site, serve de parâmetro para algumas iniciativas da administração pública. Ela já influenciou, por exemplo, um dos principais braços do projeto Cidade Digital: o Pólo de Desenvolvimento de Software, coordenado pela empresa Educandus. Instalado inicialmente para elaborar programas educativos, o pólo estendeu o foco para softwares de gestão empresarial e qualificação profissional, após essa necessidade ser apontada em enquete on-line com os moradores.O secretário João Álcimo informa que o Pólo já gerou sete empregos diretos aos jovens capacitados nos cursos do Cidade Digital e impulsionou a criação da Associação de Desenvolvimento Tecnológico de Tauá (Adett). Os softwares produzidos lá serão vendidos tanto dentro quanto fora da cidade.

O foco inicial do Pólo - os softwares educativos - não foi esquecido. Alguns programas especializados estão sendo produzidos para uso nas escolas municipais, levando em conta as peculiaridades de Geografia e História próprias da cidade e do estado. Até final de abril, prevê o secretário de Ciência e Tecnologia, os alunos da rede pública receberão login e senha para poder acessar gratuitamente esses conteúdos também fora da escola, através do portal da Educandus.

"A cultura da internet veio para ficar em Tauá. Fizemos um rompimento de paradigmas, que felizmente está dando certo", diz orgulhoso o secretário, preparando-se para encontrar uma equipe de filmagem do Sebrae que estava presente na cidade para documentar as ações do Cidade Digital. Motivo: Tauá ganhou o prêmio de Prefeitura Empreendedora do Ceará no biênio 2007/2008 devido ao projeto.

criado por professoralcimo    10:51 — Arquivado em: Sem categoria

Tauá: A união da tecnologia com a criatividade.

Tauá/CE: A união da tecnologia com a criatividade

Matéria publicada no Guia das Cidades Digitais.

Disponível em: http://www.guiadascidadesdigitais.com.br/site/pagina/tau-no-serto-cearense-une-tecnologia-e-criatividade

De uma das áreas mais secas do Ceará vem o exemplo de como é possível aliar tecnologia, cultura local e atividade rural, com uma pitada de criatividade para articular tudo isso. Trata-se da cidade de Tauá, localizada na região de Inhamuns, que iniciou o projeto de nome Cidade Digital em julho de 2006, após firmar acordo com o Ministério das Comunicações.

O chamariz do projeto é o bodefone, telefones públicos equipados com tecnologia VoIP, que permite ligações telefônicas através da internet, e decorados com a figura do bode, cuja criação é uma das principais atividades econômicas da região. Até agora são quatro bodefones, instalados no centro da cidade, e o plano é ter mais 20 até final de março, espalhados pelos 18 bairros que ocupam os 4.018 quilômetros quadrados do município.


Na foto, a Profa. Erivânia Cavalcante faz ligação para familiares através do bodefone. Fonte: Arquivo da Prefeitura de Tauá.

Extensão territorial, aliás, era um dos principais desafios ao se desenhar o projeto. Como Tauá é o segundo município mais extenso do Estado, foi escolhida a tecnologia pré-WiMax para fazer o sinal de internet chegar ao maior número possível de locais, inclusive distantes da sede municipal. Nos prédios conectados, rádios adaptam o sinal (que chega via WiMax) para a tecnologia Wi-Fi, aceita e utilizada pela maioria dos computadores.

Atualmente existem duas torres que distribuem a banda de 2 Mbps do projeto contratada junto à companhia telefônica, e uma terceira já está sendo instalada. Com isso, conta o secretário municipal de Ciência e Tecnologia, João Álcimo Viana Lima, "até 15 de março, vamos instalar VoIP em todos os órgãos da prefeitura, fazendo as ligações entre eles ficarem gratuitas".

Calcula-se uma redução de 70% nos custos telefônicos, segundo estudo da prefeitura e das duas empresas responsáveis pelo sistema VoIP, Converge TI e Redemobi. Com a nova torre, o sinal de internet, que atualmente chega apenas ao distrito principal, poderá expandido a todos os oito distritos municipais até julho de 2008, agregando também o bodefone nos locais.

Mais do que bodefones

Mas não só de VoIP e bodefones vive o projeto de Tauá. Conexão e computadores em escolas, quiosques digitais, um centro municipal de capacitação, um pólo de software, transparência das contas públicas e praças com acesso livre também estão no cardápio de escolhas do cidadão tauaense.

Quatro das 122 escolas municipais já têm laboratório de informática, cada um com 10 computadores. Na hora da aula, o uso é dos alunos. São diretamente atendidos 1.800 alunos matriculados, segundo o secretário. Fora do horário escolar, os moradores do entorno podem utilizá-los como telecentro, inclusive aos sábados. Há 200 acessos por mês em cada escola, aproximadamente.

Quem não acessa nas escolas, pode usar um dos quatro Quiosques Digitais da cidade, dotados de quatro computadores cada. São espaços que funcionam todos os dias da semana (dois deles de manhã até a noite), oferecendo acesso gratuito à população. "A procura é muito grande. Por isso, limitamos o tempo de uso a 40 minutos por usuário, para permitir o atendimento ao maior número de pessoas", diz o secretário. Segundo a contagem feita em janeiro, têm sido 1.200 acessos por mês em cada quiosque.

O local mais movimentado e cheio de opções, porém, é a sede do projeto Cidade Digital, uma construção no centro da cidade onde funcionam a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Empreendedorismo, um Centro de Capacitação Tecnológica e uma sala de videoconferência e formação à distância.

No Centro de Capacitação, são 21 computadores que podem ser usados de segunda a sexta para aulas – são oferecidos cursos de programação ambiente Linux, por exemplo - e para uso geral pela comunidade. Aos sábados, o local se transforma no Telesaudade: as pessoas que têm parentes ou amigos morando longe vão até lá para utilizar programas que permitem a comunicação barata com locais distantes, tais como o Skype, e-mail, MSN e outros programas de mensagens instantâneas.

Ainda no prédio sede do projeto Cidade Digital, funciona a sala de videoconferência para até 50 pessoas, usada majoritariamente para capacitações, e é disponibilizado sinal sem fio para quem desejar utilizar. "Eu mesmo estou usando a rede wireless com o laptop, enquanto falo com vocês", disse o secretário João Álcimo durante a entrevista.

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O 3G e as Cidades Digitais

O 3G e as Cidades Digitais

Artigo de Newton C. Scartezini

(O autor é consultor e possui ampla experiência no setor de telecomunicações, tendo atuado em empresas como Telebrás, Ericsson e Nortel)

Disponível em:  http://www.guiadascidadesdigitais.com.br/site/pagina/o-3g-e-as-cidades-digitais.

Com a chegada da tecnologia celular de terceira geração ao Brasil, o debate sobre suas aplicações recomeça na mídia especializada e nos diversos fóruns. Alguns mitos que foram veiculados nos anos recentes precisam ser revistos:

3G é para ricos

O diferencial entre a terceira geração e a segunda geração dos celulares é a capacidade de transmissão de dados em alta velocidade. Os custos de implantação de uma rede 3G não são maiores que os de redes com tecnologias alternativas com a mesma capacidade e requisitos. Os terminais de acesso às redes 3G são em geral mais baratos que os similares de outras tecnologias, e tendem a ter reduções maiores pelos ganhos de escala. As comparações feitas anteriormente foram baseadas em tecnologias do tipo Wi-Fi e Wi-Max operando em faixas de freqüências não-licenciadas. Quando os custos de licenciamento de freqüências são considerados em iguais condições, as vantagens desaparecem. O diferencial de custos é, portanto, um problema regulatório, que independe da tecnologia.

As operadoras privadas dos serviços de telecomunicações só atendem aos segmentos de alto poder aquisitivo e não estão interessadas na inclusão da população de baixa renda

O celular de segunda geração, com o advento do pré-pago, transformou-se num dos principais instrumentos de inclusão social das últimas décadas. Existem hoje no Brasil mais de 126 milhões de usuários de celulares, em comparação com cerca de 38 milhões de linhas fixas. É óbvio que a maioria desses usuários não é de alto poder aquisitivo, e eles são atendidos pelas operadoras privadas, sem qualquer subsídio de entidades públicas. Note-se que o celular pré-pago não é uma tecnologia nova. Trata-se de um modelo de negócio alternativo, que utiliza a mesma tecnologia do pós-pago.

As redes celulares só estão disponíveis nos grandes centros urbanos e não há como garantir cobertura nas localidades de menor porte

Este é mais um ponto que depende de políticas públicas e não tem relação com a tecnologia utilizada.

A licitação para as licenças de terceira geração estabeleceu como obrigações das prestadoras de serviço a oferta dos serviços a todas as localidades com mais de 30 mil habitantes e a 60% das localidades com até 30 mil habitantes.

Neste contexto, surge a pergunta:

Pode-se utilizar a tecnologia 3G para projetos de Cidades Digitais?

A tecnologia 3G pode oferecer o acesso sem fio em banda larga requerido por um projeto de Cidade Digital. Sua velocidade de acesso atual é similar à das tecnologias concorrentes, e os custos de utilização se equivalem. Com as exigências impostas às operadoras no leilão das licenças realizado em 2007, a cobertura das cidades de menor porte tornou-se obrigatória, o que amplia as possibilidades. Como se trata de um serviço que utiliza freqüências licenciadas, sua utilização requer, entretanto, que seja feito um acordo com o detentor da licença na área da cidade em pauta.

A curto e médio prazos, a maior parte dos projetos ainda deverá utilizar tecnologias do tipo Wi-Fi ou pré-Wi-Max, que operam em freqüências não-licenciadas para evitar o pagamento de licenças, que oneram significativamente os investimentos necessários.

Ocorre que os sistemas que operam em faixas de livre utilização são sujeitos à concorrência de outros sistemas que operam nas mesmas faixas e não podem garantir qualidade de serviços ou largura de banda, o que torna sua utilização mais restrita a longo prazo.

A tendência de longo prazo é utilizar sistemas que operam em freqüências licenciadas, independentemente da tecnologia. A partir desse momento, as tecnologias 3G e Wi-Max deverão ser as dominantes no acesso sem fio, dependendo de cada situação específica.

De fato, essa resposta se aplica a qualquer tecnologia, pois a viabilidade de um projeto de Cidade Digital depende muito mais do modelo de negócio aplicado e das políticas definidas, do que da tecnologia a ser empregada.

O modelo de negócio deve estabelecer as fontes de recursos para cobrir os custos envolvidos, tanto de implantação como de operação dos sistemas.

As políticas públicas devem definir os custos de licenciamento, as obrigações e direitos das operadoras, privadas ou públicas, e os eventuais subsídios a usuários ou entidades.

criado por professoralcimo    10:12 — Arquivado em: Sem categoria
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