12/6/08
ALÉM DO ACESSO (ARTIGO)
ALÉM DO ACESSO
Artigo de João Álcimo Viana Lima
Tem-se visto nos últimos anos, tentativas e concretizações de investimentos pelo poder público (municipal, estadual e federal), de forma cooperada ou individual, referentes a equipamentos de tecnologia da informação. É que aos poucos o setor de TI está sendo visto como algo necessário para os padrões de modernidade, importante para o fortalecimento das profissões e das instituições e estratégico para o desenvolvimento sociocultural e econômico. Somam-se a isso, algumas experiências - de Cidades Digitais - exitosas e premiadas no País, que revelam exeqüibilidade, um grande alcance social, aceitação popular e um forte atrativo midiático.

Criança de 4 anos acessando internet wireless na Praça principal de Tauá/CE.
Foto: Jorge Moura.
Com efeito, investimentos em TI vêm sendo cada vez mais demandados e os entes públicos instados a agir. As ações, como mencionei anteriormente, vêm sendo constatadas. Todavia, muitos projetos carecem de uma visão integrada, resumindo-se a equipamentos tecnológicos, com denominações diversas (ilhas, quiosques, telecentros, laboratórios etc), que se resumem ao acesso à internet, à digitação e, por vezes, à oferta de cursos de informática. Ressaltamos, a tempo, que essas atividades são de um significado expressivo para determinadas localidades e sinalizam para a inclusão de um contingente populacional no mundo da informática. Mas, ressalvamos que o processo de inclusão digital requer um conjunto de atividades que repercutam de maneira inter-setorial na vida das pessoas e na melhoria dos serviços.

Foto: Jorge Moura.
Uma Cidade Digital ou um Município Digital precisa ir muito além do acesso à internet. A propósito, o Guia das Cidades Digitais, em uma série de reportagens, lista exemplos de iniciativas municipais que revelam a integração da estrutura de TI com ações relacionadas à educação, à saúde, à capacitação profissional, ao empreendedorismo e a serviços diversos, incluindo o acesso e a digitação. Dentre os 33 municípios citados, a grande maioria se concentra no Sudeste (16), enquanto que as regiões Nordeste (3), Sul (3) e Norte (1) apresentam as outras experiências.
Referidos municípios destacaram-se especialmente pela criatividade de seus projetos e por sua capacidade de gestão. Sabe-se, por sinal, que o êxito das políticas municipais de TI não está estritamente relacionado com o montante de recursos financiados pelo governo federal e com uma estrutura favorável em telecomunicações nas circunscrições locais. Assim, o reconhecimento às iniciativas criativas torna-se relevante pelo bom exemplo que transmitem ao País, sob a égide da boa aplicação dos recursos púbicos aliada à determinação política de implantar novos paradigmas de gestão e política municipal.

A videoconferência como parte do processo da Cidade Digital.
Foto: Arquivo da Prefeitura de Tauá/Ceará.
Infere-se, portanto, que uma política de inclusão digital deve se pautar com o compromisso de incluir socialmente as pessoas e com vistas a fortalecer o potencial econômico das localidades.
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