Blog das Cidades Digitais

Este blog, sob a coordenação do Prof. João Álcimo Viana, se constitui como um espaço de discussão acerca das Cidades Digitais e das políticas públicas brasileiras em Tecnologia da Informação.

14/8/08

DESAFIO DA ALFABETIZAÇÃO DIGITAL

Desafio da alfabetização digital.

 

 

Artigo de Michel Levy

Publicado no Jornal Valor Econômico (São Paulo, 13/08/2008).

 

Acrescente importância da Tecnologia da Informação (TI) na economia brasileira é algo que qualquer cidadão pode notar. Não só as vendas de computadores e equipamentos têm aumentado, mas também os investimentos das empresas em soluções que as auxiliem a gerar novos negócios, melhorar a produtividade e aperfeiçoar o controle de suas operações. Graças ao momento de mercado favorável e a uma série de fatores conjunturais, o segmento atravessa uma fase de alta consistente, com boas perspectivas também para os próximos anos.

Os gastos com TI já representam aproximadamente 1,8% do PIB nacional, segundo a consultoria especializada IDC, embora o país ainda esteja abaixo da média mundial (2,5%). Há hoje, aproximadamente 1,1 milhão de trabalhadores ligados diretamente ao setor - e esse número deve ultrapassar 1,5 milhão até 2011.

Em unidades de computadores pessoais comercializados, o Brasil já é o quinto colocado no mundo (com 10,7 milhões de máquinas vendidas em 2007). Em 2010, a expectativa é que sejamos o terceiro maior mercado desse segmento, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.

 

Michel Levy sendo entrevistado.

Fonte: http://babooblogs.com.br/photos/vistalaunch/picture77.aspx

Mais importante do que a capacidade de geração de empregos diretos é o papel que a Tecnologia da Informação tem no desenvolvimento da economia como um todo. Quanto mais estruturado for esse segmento em determinado país, maior será seu grau de competitividade. É por isso que TI é um dos 12 pilares analisados pelo Fórum Econômico Mundial para medir o Índice de Competitividade Global de uma nação.

O crescimento do uso de computadores, telefones celulares e outros equipamentos tecnológicos é um fenômeno sem volta, mas ainda há um longo caminho a se percorrer até que seus benefícios estejam amplamente difundidos e possam ser usufruídos por todos. O planeta tem hoje 1 bilhão de habitantes incluídos digitalmente. Em contrapartida, há 5 bilhões de excluídos que não conseguem ter acesso a essa realidade. São indivíduos que estão na base ou no centro da pirâmide - e que, portanto, poderiam ter no acesso à tecnologia uma forma de inclusão e ascensão social.

A "alfabetização digital" é fundamental para que essa parcela gigantesca da população mundial aumente suas oportunidades e possa buscar melhores condições de vida. Para o economista indiano naturalizado americano Coimbatore Krishnarao Prahalad, autor de "A Riqueza na Base da Pirâmide" e outros livros sobre o tema, essa parcela da população poderá garantir o crescimento econômico e social de todo o planeta.

Trazer esse enorme contingente populacional ao mundo conectado e às suas possibilidades é uma tarefa de todos. E a educação é, sem dúvida, o ponto de partida. É por meio de uma educação inclusiva e de qualidade que se pode investir no capital humano capaz de levar adiante um projeto de desenvolvimento e inovação.

O Brasil alcançou a universalização da Educação Básica, mas ainda sofre quando entra em discussão a qualidade do ensino. O país é o 54º colocado em um ranking de conhecimentos de matemática preparado pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) - fica à frente apenas de Tunísia, Qatar e Cazaquistão. Na classificação de capacidade de leitura, estamos em 50º lugar. Em ciência, ocupamos a 52ª colocação entre os 57 pesquisados.

Ao melhorar a qualidade da educação, o Brasil conseguirá fazer girar com mais velocidade o mecanismo da inovação. O país tem tradição de dar mais ênfase à pesquisa acadêmica, deixando em segundo plano o investimento em novos produtos e serviços. Mas dados recentes mostram que essa realidade começa a se alterar.

Segundo indicadores do Ministério da Ciência e Tecnologia, os recursos públicos corresponderam a 58,67% do total investido em pesquisa em 2003. Em 2006, o aporte de recursos privados praticamente igualou-se ao de verbas públicas: 49,9% contra 50,1%. Essa mudança traz a perspectiva de que idéias nascidas nas universidades possam ser aperfeiçoadas e colocadas em prática com o auxílio das empresas - e muitas vezes, consigam ganhar escala e se transformar em políticas públicas.

Para que cumpram de fato sua missão, a estrutura de estímulo à inovação e o sistema de ensino devem estar a serviço da criação de empregos e de oportunidades de negócios para um número cada vez maior de pessoas. Parcerias firmadas entre empresas e a academia servem de exemplo para o desenvolvimento de soluções que atendem às necessidades de clientes de diversos portes e áreas de atuação.

Essas iniciativas são essenciais para a diminuição do déficit de mão-de-obra qualificada. Também estimulam o desenvolvimento de novas tecnologias voltadas à indústria local e a renovação do espírito acadêmico. Apenas por meio da participação integrada de professores, estudantes, pesquisadores, consultores e produtores de software é possível alcançar os objetivos esperados.

Os resultados são visíveis e relevantes, sempre com a comunidade reagindo com entusiasmo. Em Salvador, por exemplo, 5,6 mil estudantes disputaram recentemente 60 vagas disponíveis em um curso de formação para programadores. Em pouco tempo, um terço dos selecionados já havia sido incorporado pelo mercado de trabalho local.

Investir em pesquisa científica, estimular os avanços tecnológicos e incentivar o empreendedorismo são estratégias certeiras para o surgimento de novas perspectivas para a população. Por meio da educação de qualidade é possível fomentar as oportunidades econômicas e sociais nas comunidades e, conseqüentemente, ter profissionais altamente capacitados para atuar no disputado mercado de trabalho.

Para isso, a união entre governo, iniciativa privada e setor acadêmico é fundamental. Só assim a "base da pirâmide" poderá, de fato, se tornar o alicerce de um novo ciclo de desenvolvimento no qual todos sejam beneficiados.

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Michel Levy é presidente da Microsoft Brasil.

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12/8/08

TIC, EDUCAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO.

TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO: INSTRUMENTOS DE TRANSFORMAÇÃO.

 

Artigo de João Rolim de Sena.

 

A evolução tecnológica tem promovido profundas e importantes transformações nas relações de comunicação (transmissão e recepção de dados), bem como nas relações humanas em todos os setores da atividade econômica e social dos povos contemporâneos. Por conta dessas mudanças, tem sido cada vez mais urgente, a adoção de um novo comportamento empresarial e do mesmo modo, em relação aos trabalhadores em geral, pois o mercado exige profissionais altamente qualificados para o exercício de atividades que hoje, são determinantes para o desenvolvimento dos povos.

 


Foto: Arquivo da Prefeitura de Tauá/CE.

 

Alguns municípios brasileiros, como Tauá no Ceará, estão dando um pontapé essencialmente importante e entram numa fase fundamental diante do desenvolvimento que o mundo tem determinado e até exigido, em função da velocidade com que as informações chegam ao seu destino, adquirindo assim uma dinâmica cada vez maior. Isso tem disponibilizado aos usuários da rede mundial de computadores, uma grande e variada fonte de informações. Neste sentido, as TIC podem ser aliadas da educação.

Sendo assim, e por essas razões, torna-se urgente a promoção de capacitações voltadas para professores e outros profissionais que atuam na área educacional, para que adotem a Tecnologia da Informação e da Comunicação como instrumento de apoio para o trabalho pedagógico na escola. Além disso, é necessário o envolvimento dos estudantes na dinâmica tecnológico/educacional. As escolas devem se modernizar sendo dotadas com computadores; com a freqüência eletrônica para estudantes; a disponibilização das notas escolares e do resumo de aula na internet.
São instrumentos que devem ser disponibilizados para a comunidade escolar (pais e alunos), no sentido de contribuir efetivamente para a melhoria da qualidade da educação e de dar maior celeridade aos processos pedagógico/educativos e desta forma, promover melhorias qualitativas na educação.

Em assim agindo, os poderes constituídos terminam por adotar uma postura ética, respeitando e cumprindo as demandas exigidas pela sociedade, para que esta possa de fato exercer um direito elementar, a cidadania. Desta forma, baseado em Demo, citado por Silveira (2000), entende-se cidadania como sendo “a raiz dos direitos humanos [...]. Cabe ao Estado prover – ou viabilizar que outros o façam – o acesso à informação, e não apenas mediar às relações entre os homens, privilegiando a estrutura de poder, pois a informação é mais que a mercadoria por excelência da sociedade pós-industrial: é a sua própria razão de ser. Ela condiciona a existência da sociedade e sua coerência. A informação é um produto e um bem social”. O acesso às Tecnologias da Informação e da Comunicação é fator primordial na modernidade, pois aquele que detém maior conhecimento tem maiores chances junto aos diversos segmentos da sociedade, pois são exigidos do cidadão conhecimentos diversos para áreas diversas.

Para Castells (1998), pode ser considerado “positivo o papel das novas tecnologias de informação na geração do conhecimento e na maior velocidade na troca e difusão de informações dentro da estrutura da sociedade”. Entende ainda Castells (1998) que “uma das áreas que se beneficia mais intensamente do desenvolvimento dos novos recursos é a educação, tendo em vista que as TI - Tecnologias de Informação ampliam a capacidade das pessoas de progredir em seus conhecimentos, criar riqueza e utilizá-la mais sabiamente que as gerações anteriores”. Tratando da interação entre as novas tecnologias da informação e a educação, Levy (1998) destaca que “o papel das novas tecnologias intelectuais, que ampliam, exteriorizam e alteram muitas das funções cognitivas humanas; e da maior facilidade de reprodução e transferência de informações, do aumento da memória, das simulações, entre outros, que acabam por aumentar o potencial de inteligência coletiva humana”.

Desta forma, as novas Tecnologias da Informação e da Comunicação podem contribuir para a transformação da sociedade, dando ao cidadão a capacidade de aumentar sua criticidade, conhecimentos e poder para interferir positivamente no meio em que vive, visando inclusive a melhoria da sua qualidade de vida.

Compreende-se, que o acesso às Tecnologias da Informação e da Comunicação ainda está longe da universalização. A inclusão digital ainda é artigo de luxo para muitos, especialmente em Municípios pobres ou nas zonas rurais, onde o benefício é quase inexistente. A falta de compartilhamento desse acesso pode contribuir para a manutenção e até o aumento do “status quo” da sociedade capitalista atual. A universalização das tecnologias da Informação é determinante para as gerações atuais e futuras.

Portanto, quanto maior o acesso à informação e à educação, maiores serão as possibilidades dos povos de se tornarem independentes e de promoverem mudanças efetivas em sua realidade, a partir da politização e do aumento da visão de mundo de cada pessoa. Educação e Tecnologia da Informação devem servir como veículo para tais mudanças que a sociedade reclama.

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João Rolim de Sena é pedagogo e Diretor do Departamento de Tecnologia da Prefeitura de Tauá/Ceará.

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Inhamuns.com

Inhamuns.com

 

Thiago Cafardo
enviado a Tauá

 

Jornal O Povo (Fortaleza, 2 de agosto de 2008).

Disponível em: http://www.opovo.com.br/opovo/economia/808824.html.

Há dois anos, Tauá era uma cidade como outra qualquer no sertão cearense. Mas a tecnologia chegou e mudou o perfil do município.

 

 "Quando terminei o terceiro ano tinha planos de sair de Tauá. Agora, não penso em deixar a cidade tão cedo". O depoimento de Luan Patryck, 19, dá conta de sintetizar uma nova realidade no sertão dos Inhamuns, a terra mais seca do Ceará. Em 2006, Luan ainda cursava o ensino médio. O computador nem era ferramenta do seu cotidiano. Hoje, dois anos depois, atua como instrutor de curso de computação oferecido pela Prefeitura. Trabalha, ainda, em uma empresa de tecnologia que estabeleceu filial no município. A renda de R$ 450 ajuda a família e garante o lazer nos fins de semana. "Quero fazer faculdade nessa área de tecnologia", afirma. O exemplo de Luan é apenas um entre centenas de tauaenses que mudaram de vida com a chegada da inclusão digital na cidade.

 

Luan Patrick, instrutor de informática da Cidade Digital e técnico da empresa Educandus.

Foto: Edimar Soares (Jornal O Povo).

 

Em Julho de 2006, após firmar convênio com o Ministério das Comunicações, Tauá inaugurou a Cidade Digital - a base do programa de inclusão. O projeto oferece quatro quiosques com Internet grátis para a população e acesso wirelles (sem fio) de alguns pontos do município, como a praça central e a rodoviária. Além disso, disponibiliza cursos de computação e tecnologia gratuitos para os moradores.

Em dois anos, o projeto cresceu, mudou o perfil do município, que vivia basicamente da criação de cabras, bodes e ovelhas. Assim Tauá ostenta hoje o reconhecimento de ser importante pólo tecnológico do Estado. É reconhecida pelo Sebrae como pioneiro em inclusão digital na Região Nordeste. "Até a auto-estima dos moradores melhorou. Antes, as pessoas não acreditavam. Hoje elas vêem que é possível aprender", afirma Alexciano Martins, assessor de Projetos de Tecnologia da Informação da Cidade Digital.

Segundo Alexciano, menos de 1% da população de Tauá tinha acesso à Internet antes de 2006. Atualmente, cerca de 12% dos moradores já utilizam constantemente o computador. Motivo de orgulho para os cerca de 52 mil habitantes que vivem no local. "Nossa cidade é a única do Nordeste que permite acesso dessa maneira à informação. As pessoas estão se capacitando", diz o estudante de pedagogia Francisco Aílson, 26, que também virou professor de computação dos cursos oferecidos pelo município.

Na perspectiva etária, a inclusão digital em Tauá é democrática, foi além da população jovem. O comerciante Maurício Borges, 51, por exemplo, diz que "mal sabia ligar um computador antigamente". Gostou tanto da idéia que utiliza a Internet nos quiosques digitais pelo menos uma vez por dia. "Leio as notícias e pesquiso preços. Minha vida mudou muito", afirma ele, que trabalha com produtos agropecuários.

É Tauá globalizado. A auxiliar odontológica Geisla Feitosa, 23, mora no distrito de Vera Cruz, a 48 km da sede de Tauá. Mesmo com a distância, ela conta que sempre "dá um jeito" de ir à cidade para utilizar a Internet. "É muito bom. Sempre converso com amigos em São Paulo, no Rio de Janeiro. Antes a gente não tinha como fazer isso". Já a comerciante Vanusa Xavier da Silva, de 31 anos, foi mais além: matriculou-se no curso de computação oferecido pela Prefeitura na Cidade Digital. "Comecei a acessar a Internet e me interessei em aprender a mexer no computador. Quero utilizar a tecnologia para crescer profissionalmente", diz ela.

SERVIÇO
Saiba mais sobre a Cidade Digital em www.taua.ce.gov.br

PERFIL

- População: 52 mil habitantes
- Área: 4.018 km
(2,69% do território cearense)
- Microrregião: Sertão dos Inhamuns
- Temperatura média: 27ºC
- Distância de Fortaleza: 337 km

Pólo tecnológico
- Quatro quiosques com Internet grátis
- Centro de capacitação (cursos de informática)
- Acesso à Internet sem fio
- Dois Bodefones (telefones com sistema VoIP)
- Local para desenvolvimento de software (empresa Educandus)
- Agentes de saúde com palm tops (computador de mão)
- Sala de videoconferência e formação à distância
- Centro de Capacitação tecnológica nas escolas

E-Mais

A Prefeitura de Tauá estabeleceu um convênio com a empresa Educandus para a implantação de um pólo de desenvolvimento de softwares na cidade. Seis jovens que fizeram o curso de capacitação tecnológica na Cidade Digital foram selecionados para atuar como programadores e designers e no desenvolvimento de aulas multimídia. A Educandus tem pólo de desenvolvimento em capitais como São Paulo, Recife e Rio de Janeiro.

criado por professoralcimo    18:44 — Arquivado em: Sem categoria
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