Blog das Cidades Digitais

Este blog, sob a coordenação do Prof. João Álcimo Viana, se constitui como um espaço de discussão acerca das Cidades Digitais e das políticas públicas brasileiras em Tecnologia da Informação.

24/10/08

PIRAMBU DIGITAL

PIRAMBU DIGITAL


Recebemos, com muita satisfação, um e-mail de Gildenis Silva, Diretor Executivo do Pirambu Digital (projeto implantado em bairro periférico de Fortaleza/CE.

Gildenis Silva relata o reconhecimento que vem tendo esse grande investimento social, que tem na pessoa do Prof. Dr. Mauro Oliveira (CEFET) um dos grandes entusiastas e apoiadores. 

Parabéns!

(João Álcimo Viana).

 

Foto: Carol Domingues.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste (on line).

 

Abaixo, segue a transcrição da mensagem eletrônica de Gildenis:

 

Prezados Amigos,

É com grande felicidade que vos escrevo para lhes comunicar e compartilhar de uma seqüência de alegrias que estamos tendo aqui com as atividades diárias desenvolvidas pelo Pirambu Digital.

A BILA – Biblioteca Integrada a LAN House, projeto de extensão da Cooperativa Pirambu Digital que objetiva o incentivo à leitura e inclusão digital é finalista no Prêmio VIVALEITURA 2008 na categoria “Bibliotecas Públicas, Privadas e Comunitárias”. Promovido pelo Ministério da Cultura, Organização dos Estados Ibero-Americanos e Fundação Santillana. Os vencedores serão anunciados na festa que acontecerá no dia 12 de novembro, em São Paulo.
(http://www.premiovivaleitura.org.br/default1.asp?page=2008_finalistas.asp)

O Diário do Nordeste traz, na edição de hoje (22 out 2008), matéria sobre o
Projeto BILA.
(http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=582902).

Em cerimônia realizada em 24 de setembro, o Pirambu Digital foi agraciado com o segundo lugar no Prêmio FINEP de Inovação na região Nordeste, na categoria empreendedor social.
(http://www2.finep.gov.br/premio/?q=node/108)

Será realizado no dia 29 de outubro, em Brasília, a entrega do Prêmio ODM
Brasil. Informo tambem que fomos finalistas na categoria Organização.

Ratifico ainda que o todos os parceiros, colaboradores e amigos têm uma grande parcela nesse sucesso que é o reconhecimento de nosso trabalho pela sociedade.

Atenciosamente,

Gildenis Silva
Diretor Executivo - Pirambu Digital

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O sonho da inclusão digital em áreas rurais

TECNOLOGIA: O SONHO DA INCLUSÃO DIGITAL EM ÁREAS RURAIS

Artigo de João Rolim de Sena

As políticas públicas voltadas para a inclusão digital, devem ir além das áreas urbanas. O benefício precisa chegar à zona rural, onde a população enfrenta muitas dificuldades. Os rurícolas vivenciam graves problemas sociais como a pobreza e o desemprego. Benefícios como o computador e a internet constituíram-se numa urgente necessidade.

Sendo assim, verifica-se a carência de espaços e de recursos tecnológicos na área rural. A exclusão digital não tem permitido a esses cidadãos o exercício pleno da cidadania. O “homem do campo” teoricamente está isolado do “mundo tecnológico”. O rico material disponível na web pode contribuir para o desenvolvimento do setor agropecuário.

 

 

Foto: Arquivo da Cidade Digital de Tauá/CE.

 

Trata-se de um grande desafio, especialmente para regiões pobres, que sem o apoio de instituições públicas para financiar o desenvolvimento local, continuarão a enfrentar inúmeras dificuldades e poderão continuar longe das novidades tecnológicas.

Pensando na importância do beneficio e na continuidade do processo de inclusão digital do cidadão, o município de Tauá criou as bases necessárias para levar o sinal de internet até às vilas distritais. Sendo assim, segue o exemplo de países como a Índia, onde os números sociais são preocupantes, tanto quanto no Brasil. Conforme “dados divulgados pelo governo, apenas 0,5% da Índia estão conectadaos à web. Com uma população beirando um bilhão de pessoas, parece muita gente, mas em termos relativos, está longe de chegar aos 11% que existem no Brasil, segundo o Ibope/ Netratings. No setor de telefonia, a Índia tem apenas 2,2 linhas telefônicas para cada cem habitantes, em média” (REBÊLO, 2008, p. 3).

O acesso à Tecnologia da Informação e da Comunicação, deve ser compreendido como um ato de liberdade, gerador de um processo de aprendizagem, que por sua vez será capaz de gerar autonomia nos vários níveis.

Desse modo, a liberdade é fundamental para a independência dos povos e para o ser humano. A informação pode contribuir para evitar ou reduzir o grau de dependência que os povos pobres têm em relação aos ricos e poderosos do mundo. Conhecer, portanto, ajuda a transformar as relações humanas, políticas, econômicas e sociais existentes.

Por essa razão, compreende-se que as nações subdesenvolvidas têm necessidades urgentes de “acelerar a disseminação da informação em todos os níveis de sua estrutura social”. Essa é a questão central: assegurar o acesso à informação, para a construção de uma cidadania plena, a cidadania ativa, como coloca Bobbio (1986), lembrando Norbert Wiener: “Ser informado é ser livre” (MIRANDA 1977 apud SILVA et al 2005, p. 31).

Compreende-se que o acesso à internet servirá como instrumento que permitirá o desenvolvimento rural tauaense, gerando qualidade de vida e possibilitando aos produtores e pecuaristas adquirirem novos conhecimentos quanto à atividade agropecuária, que os permitirão produzir mais e melhor, além de possibilitar a manutenção do cidadão em seu hábitat.

Outros exemplos importantes de inclusão digital em nações pobres é o caso de Honduras, onde “uma ONG instalou estações de trabalho em comunidades rurais, cujos computadores funcionavam por energia solar, já que não havia energia elétrica naquela área. Também não havia infra-estrutura de telecomunicações, ou seja, nada de telefones ou conexões à internet. Então começaram a usar conexão via satélite, cujo valor ainda é bem alto. Ocorre que toda a parafernália pode se tornar auto–sustentável, com a própria comunidade arcando com os custos de manutenção” (REBÊLO, 2008, p. 3).

O alto custo de manutenção da conexão à internet, tem se constituído num grave entrave no que tange a inclusão digital. Nas cidades do interior, os provedores pagam valores elevados por um link de 1 MB de velocidade. Este é sem dúvida um fator complicador, pois falta concorrência para forçar o barateamento do serviço.

Contrariando as dificuldades enfrentadas num amplo Projeto de Inclusão Digital, o Município de Tauá levará internet em banda larga às sedes distritais e vai se transformar em “Município Digital”. Trata-se de uma proposta ambiciosa, mas absolutamente necessária, além de ser uma reivindicação dos rurícolas, especialmente dos jovens, que buscam outras alternativas de inclusão.

Desta forma, as comunidades locais poderão ter contato com as Tecnologias da Informação e da Comunicação, permitindo às pessoas o acesso não somente a uma grande gama de informações, mas, também, a possibilidade de poderem comprar e vender produtos produzidos na área rural via internet. Isso garantirá qualidade de vida às pessoas, estabelecendo novas fronteiras comerciais e profissionais com outros Estados ou paises.

Portanto, permitir o acesso às Tecnologias da Informação e da Comunicação no meio rural é a possibilidade de garantir aos homens, mulheres, jovens e crianças a oportunidade de incluí-los no mundo digital com foco na inclusão social, garantindo-lhes maior dignidade. Trata-se, da realização de um sonho de um sertão tecnológico, no coração de uma das regiões mais secas e pobres do nordeste brasileiro, onde o índice do êxodo rural continua sendo um problema grave. Compreende-se ainda que os benefícios tecnológicos ainda não estejam universalizados.

 

Referências Bibliográficas

SILVA, Helena Pereira da; JAMBEIRO, Othon; LIMA, Jussara Borges de e BRANDÃO, Marco Antonio. Inclusão digital e educação para a competência informacional: uma questão de ética e cidadania. Ci. Inf., Brasília, v. 34, n. 1, 2005.
REBÊLO, Paulo. Inclusão digital: o que é e a quem se destina? Disponível em: http://www.netmultibusca.com.br/noticias.php?id=15¬icia=inclusao-digital-o-que-e-e-a-quem-se-destina?>. Acesso em: 26 de jun 2008.

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João Rolim de Sena é pedagogo e Diretor do Departamento de Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Empreendedorismo da Prefeitura Municipal de Tauá.

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A universidade e as novas tecnologias

A universidade e as novas tecnologias.

 

 Artigo de João Grandino Rodas.

(Publicado no Jornal O Estado de São Paulo, em 18/10/2008). 

 

Prof. João Grandino Rodas, da USP.

 

É possível antever que, em poucos anos, o panorama universitário global se modifique profundamente, a ponto de se tornar irreconhecível”.

Nunca antes o conceito de universidade, surgido na Europa no século 12, enfrentou tamanho desafio. Estão em xeque seus pressupostos básicos: localização, temporalidade e limitação de vagas. De per si, as invenções da imprensa, do rádio e da televisão não tiveram o condão de mudar, fundamentalmente, o conceito em tela.

O uso integrado de variadas mídias, possibilitado pelo uso conjunto de tecnologias de comunicação e informação, contudo, vem permitindo uma revolução na educação, em razão de romper com as fronteiras de tempo e de espaço.

O impacto da utilização do referido conjunto de tecnologias pode ser sentido na sociedade, nos métodos de ensino, no aluno, no professor e na universidade. Para a sociedade o benefício é dúplice: os cursos semipresenciais e não-presenciais propiciam aumento considerável do número de pessoas com acesso à educação - um mesmo curso pode ser seguido tanto em escala nacional quanto global.

Opera-se a democratização da educação ao permitir que pessoas sem possibilidades de freqüentar regularmente cursos presenciais possam ser incorporadas à escola. Além disso, facilita-se a educação continuada.

No que tange aos métodos, o professor deixa de ser o ponto central, tornando-se partícipe de equipe multidisciplinar (pedagogo, designer, roteirista, programador e apresentador), cujo objetivo é a eficácia do processo ensino-aprendizagem.

Por outro lado, cada espécie de curso requer o desenvolvimento de metodologias adequadas. Curso que utilize a televisão deve ser interativo, a ponto de possibilitar a comunicação reversa do aluno. Já os que utilizam a internet necessitam de ferramentas de interatividade para a comunicação síncrona ou assíncrona entre professor e aluno.

O aluno torna-se o foco do processo de aprendizagem. Passa ele a ter maior autonomia para identificar suas necessidades e procurar as informações, com o intuito de refletir sobre elas, discuti-las e adaptá-las às suas necessidades. Daí ser imperioso, desde o ensino fundamental, cultivar no aluno maior espírito crítico e perspicácia. Relativamente às informações, elas passam a estar disponíveis em qualquer lugar e a qualquer hora, e não unicamente no momento em que o professor as apresenta. O aluno poderá obtê-las quando a elas se puder dedicar.

Deixa o professor de ser “fonte do saber”, que disponibiliza conteúdos a serem memorizados e replicados. Sua competência será mais bem aproveitada, por se tornar um orientador de estudos, que também motiva o discípulo, dissipa dúvidas e procede à avaliação. Cabe ao professor repartir com o aluno sua experiência, orientando-o na abordagem, avaliação e resolução de situações.

Deixa a universidade de depender das competências locais para o oferecimento de cursos, podendo, no estabelecimento deles, contar com competências existentes na esfera nacional e mesmo internacionalmente. Dessa maneira, poderá otimizar seus recursos, mormente os humanos, deles se servindo mesmo que dispersos no tempo e no espaço.

Duas características serão imprescindíveis para a universidade:

- Deve dispor de infra-estrutura, tecnologias modernas e metodologias adequadas para atender aos alunos onde quer que eles se encontrem, durante o tempo que precisem e consoante as suas necessidades. Tanto quanto de bons professores, a universidade, como nunca anteriormente, passa a necessitar de bibliotecas, inclusive e mormente de biblioteca digital, além de laboratórios apropriados;

- Necessita ser ágil para identificar as necessidades de conhecimento da sociedade, que variam no tempo e na localização, e oferecer cursos, fazendo-os evoluir conforme se modifiquem tais necessidades.

Por oito séculos o modelo de universidade se manteve praticamente o mesmo. De alguns anos a esta parte, o conjunto de tecnologias de informação e de educação acima mencionado começou a ser, pouco a pouco, utilizado por várias universidades estrangeiras e, mais timidamente, por algumas brasileiras. O que já começa a ser patente é a aceleração que vem sendo impressa, mormente por universidades alienígenas, nesse processo.

É possível antever que, em poucos anos, o panorama universitário global se modifique profundamente, a ponto de se tornar irreconhecível. A discussão que sempre houve sobre os métodos de ensino será canalizada, mais pragmaticamente, para determinadas finalidades.

O perfil do aluno tende a se modificar e um ensino básico adequado será importantíssimo. Sem ele não será possível navegar pelo mundo virtual ou semivirtual da aprendizagem. Persistindo a falta de ensino público básico de qualidade, aprofundar-se-á o fosso socioeducacional já existente.

Os professores continuarão a ser necessários, não o professor tradicional, mas o apto a certos desafios. Assim, reciclagem profunda e adaptações indispensáveis serão imprescindíveis para que os professores “à moda antiga” não fiquem inexoravelmente fora do mercado e os novos professores já se formem com as habilidades necessárias.

Finalmente, as instituições que não perceberem o sinal dos tempos e não empreenderem profunda reflexão e mudança estarão fadadas, inicialmente, ao ostracismo e, a médio prazo, à obsolescência e à nulificação.

Espera-se que as universidades brasileiras não percam o momento, pois está em jogo, inclusive, a preservação da cultura nacional, a importância do Brasil no mundo e a capacidade de termos um País mais justo. Este último desiderato só será alcançado por meio de educação de qualidade acessível a todos neste país-continente.

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João Grandino Rodas, diretor da Faculdade de Direito da USP, presidente do Tribunal Permanente de Resolução do Mercosul, ex-professor da Faculdade de Educação da USP (Didática, História da Educação e Educação Internacional), é membro do Conselho Diretor da Fulbright Commission. Artigo publicado no “Estado de SP”:

criado por professoralcimo    9:58 — Arquivado em: Sem categoria

RETORNO DAS ATIVIDADES DO BLOG

 

Olá amigos(as) internautas,

Após dois meses de recesso, estamos retornando nossas atividades de edição e interação em nosso blog das Cidades Digitais.

Um forte abraço,

João Álcimo Viana.

 

 

criado por professoralcimo    9:51 — Arquivado em: Sem categoria
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